Autobiografia santo antonio maria claret



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CAPÍTULO 34


A Congregação do Imaculado Coração de Maria
488. Cheguei a Barcelona (329) em meados de maio e me dirigi a Vic. Falei com meus amigos, os cônegos Soler (330) e Passarell (331) sobre o projeto que tinha de fundar uma congregação de sacerdotes que fossem e se chamassem Filhos do Imaculado Coração de Maria. Ambos acolheram calorosamente a idéia. O cônego Soler, que era reitor do seminário de Vic, ofereceu o seminário e, tão logo os seminaristas entrassem em férias, poderíamos nos reunir no seminário, ocupar seus quartos, enquanto Deus nosso Senhor nos dispusesse outro local. (332)

489. Apresentei esse mesmo plano ao bispo de Vic, Dom Luciano Casadevall, pelo qual era muito estimado. Ele muito aplaudiu esta minha iniciativa. Aproveitando a oportunidade, resolvemos que durante as férias nos instalaríamos no seminário. Enquanto isso ele mandaria preparar o Convento das Mercês que o governo pusera à sua disposição. E assim se fez. (333) Com o local das Mercês já à disposição, fui falar com alguns sacerdotes a quem Deus nosso Senhor havia dado o mesmo espírito de que eu me sentia animado. Eram eles: Estêvão Sala,(334) José Xifré,(335) Domingos Fábregas,(336) Manuel Vilaró,(337) Jaime Clotet,(338) Antônio Claret, eu, o mais insignificante de todos. Sim, isso é verdade, pois todos eles são mais instruídos e mais virtuosos do que eu; mesmo assim, porém, sentia-me bastante feliz, considerando-me servidor de todos. (339)

490. No dia 16 de julho de 1849, reunidos no seminário, com a aprovação do bispo e do reitor, iniciamos, nós sozinhos, o retiro espiritual, com todo rigor e fervor.(340) Como justamente nesse dia se comemora a festa da Santa Cruz e de Nossa Senhora do Carmo, tomei como tema da primeira prática as palavras do Salmo 22,4: Virga tua et baculus tuus ipsa me consolata sunt: Tua vara e teu cajado me consolarão, (341) frisando a devoção e a confiança que devemos ter na Santa Cruz e em Maria santíssima, além de aplicar o salmo a nosso objetivo. (341) Saímos desse retiro muito fervorosos, resolvidos e determinados a perseverar. Graças a Deus e a Maria santíssima todos perseveraram muito bem. Dois morreram e se acham neste momento gozando na glória celeste e do prêmio de seus trabalhos apostólicos e intercedendo por seus irmãos. (342)

491. Assim iniciamos e assim continuamos vivendo uma vida perfeitamente comum, todos entregues aos trabalhos do sagrado ministério.(343) Ao terminar o retiro que pregara à pequena e nascente comunidade, pediram que, na igreja do seminário, eu pregasse um retiro ao clero da cidade de Vic. No dia 11 de agosto, descendo do púlpito, ao concluir o último ato, disseram-me que o bispo desejava falar comigo. Fui ao palácio episcopal. Quando lá cheguei, entregou-me um decreto real com data de 04 de agosto, nomeando-me arcebispo de Cuba. Tal notícia me deixou como morto. Disse que não aceitava de modo algum a nomeação. Supliquei ao bispo que se dignasse transmitir a decisão dizendo que não aceitaria de maneira nenhuma.

492. Ó meu Deus, bendito sejais, pois vos dignastes escolher vossos humildes servos para se tornarem Filhos do Imaculado Coração de vossa santíssima Mãe!

493. Ó Mãe, mil vezes bendita! Infinitos louvores vos sejam dados pelas finezas de vosso Imaculado Coração e por nos terdes adotado como vossos filhos! Fazei, minha Mãe, que correspondamos a tanta bondade. Que sejamos cada dia mais humildes, mais fervorosos e mais zelosos pela salvação das almas.

494. Digo a mim mesmo: Um filho do Imaculado Coração de Maria é um homem que arde em caridade e abrasa por onde passa; que deseja eficazmente e procura por todos os meios inflamar o mundo no fogo do divino amor. Nada o detém. Alegra-se nas privações. Enfrenta os trabalhos. Abraça os sacrifícios. Compraz-se nas calúnias e se alegra nos tormentos. Seu único pensamento é seguir e imitar a Jesus Cristo, no trabalho, no sofrimento, procurando sempre e unicamente a maior glória de Deus e da salvação das almas. (344)
Capítulo 35

Nomeação e aceitação do Arcebispado de Santiago de Cuba
495. Fiquei atônito com a nomeação para arcebispo. Não quis aceitar, por me considerar indigno e incapaz de tão grande dignidade, por não ter nem a ciência nem as virtudes necessárias para tal. Depois, refletindo melhor, pensei que, mesmo se tivesse ciência e virtude, não devia abandonar a Livraria Religiosa e a Congregação que acabavam de nascer.(345) Assim é que, por todos os meios, rejeitava as instâncias do núncio apostólico, excelentíssimo monsenhor Brunelli,(346) e do Ministro da Justiça, senhor Lourenço Arrazola.(347) Tanto o núncio como o ministro, vendo baldados todos os seus esforços, recorreram ao bispo de Vic, ao qual obedecia cegamente. Ele ordenou taxativamente que aceitasse.(348)

496. Esta ordem fez-me estremecer. De um lado, não me atrevia aceitar e, por outro, queria obedecer. Pedi que me desse alguns dias para eu refletir, antes de responder, e ele me atendeu. Procurei logo os padres Jaime Soler, Jaime Passarell, Pedro Bach e Estêvão Sala, sacerdotes muito sábios, virtuosos e de minha total confiança. Supliquei que me encomendassem a Deus, pois esperava de sua bondade que até o último dia de retiro, que ia começar, me dissessem o que deveria fazer: obedecer ao bispo ou recusar terminantemente a nomeação. No dia marcado e, depois de terem conversado entre si, vieram a mim e foram unânimes ao me dizer que era vontade de Deus que eu aceitasse a ordem do bispo. Aceitei no dia 4 de outubro, dois meses depois de ter sido eleito.

497. Uma vez aceita a nomeação de minha pobre pessoa, indicada por sua majestade, processaram-se as formalidades de praxe e assim todo o processo foi enviado a Roma. Entrementes, continuei a desempenhar o meu apostolado habitual, pregando retiros ao clero, aos religiosos, religiosas, aos estudantes e leigos. Ainda nessa época, preguei retiro ao clero e missão ao povo de Gerona, falando todos os dias da varanda da Casa Pastors à multidão, que ocupava a praça, as escadarias e o átrio da catedral, ruas imediatas e às demais pessoas que se colocavam nas varandas, janelas e sacadas de todas aquelas casas. (349)

498. O Senhor revelou-me, durante esses dias, coisas muito especiais para a sua maior glória e salvação das almas. (350) Fui preconizado; (351) as bulas vieram de Roma a Madri e remetidas a Vic, sob a responsabilidade dos padres Firmin de la Cruz (352) e Andrés Novoa,(353) sacerdotes exemplares. Nesse meio tempo, procurei me preparar, fazendo um retiro espiritual de muitos dias, durante os quais elaborei um plano de vida para o meu governo.(354) Assim preparado e predisposto, recebi a consagração em Vic, como direi na terceira parte, se Deus quiser.



TERCEIRA PARTE
Consagração de arcebispo



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