Autobiografia santo antonio maria claret



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AUTOBIOGRAFIA


SANTO ANTONIO MARIA CLARET

Traduçaão: Brás Lorenzetti, cmf

CLARET-INTRODUÇÃO
AO LEITOR

Apresentamos ao povo de língua portuguesa a Autobiografia de Santo Antonio Maria Claret, bispo e fundador, agora na sua integralidade.

A sua leitura com certeza é uma oportunidade de conhecer mais profundamente o carisma apostólico e a experiência de evangelizador deste santo que seguiu os passos de Cristo, dos apóstolos e dos grandes missionários que marcaram a história da Igreja.

A presente edição brasileira é a tradução de uma edição melhorada e enriquecida em relação às outras espanholas. O presente texto tem como referência principal a Autobiografia publicado pela BAC (Biblioteca de Autores Cristãos) (Madri, 1981), por ser a mais completa e ajustar-se mais ao original. Houve aumento de notas explicativas para tornar o texto mais compreensível. Foram incluídos também alguns textos novos nos apêndices. Deste modo acreditamos que fica melhor delineada a personalidade humana e espiritual, sacerdotal e missionária de Santo Antonio Maria Claret.

Queira o Santo abençoar este novo esforço dos Claretianos no Brasil, a fim de promover o conhecimento e a vivência do espírito claretiano nesta época de crescente desejo de identificação cristã católica e inquietação missionária.

Com relação à tradução, procurou-se ao máximo manter a simplicidade e a coloquialidade da linguagem.

Algumas expressões foram atualizadas. É o caso da expressão salvação das almas, que aparece inúmeras vezes. Outras, no entanto, foram mantidas no seu original, como é o caso das citações latinas.

É bom lembrar que o texto foi escrito pela metade do século dezenove, o que significa uma distância razoável da época e da linguagem até nossos dias.


LEITURA CARISMÁTICA DA AUTOBIOGRAFIA
I. A AUTOBIOGRAFIA, FORMULAÇÃO DA EXPERIÊNCIA CARISMÁTICA CLARETIANA
1. O Código autobiográfico

Santo Antonio Maria Claret escreveu a Autobiografia a mando do Padre José Xifré, seu diretor espiritual e então Superior Geral da Congregação dos Missionários Claretianos. Começou a redigi-la em 1861 (provavelmente em outubro ou novembro) e concluiu-a em 1862. Mais tarde escreveu uma Continuação, concluída em 1865, antes do dia 25 de outubro, data de sua partida para Roma.

A Autobiografia foi escrita na plenitude da vida do padre Claret. Com efeito, o santo, que morreu aos 63 anos de idade, começou a redigi-la aos 54 e concluiu-a aos 58. Quando escreveu o primeiro volume, já havia cinco anos que estava em Madri, procurou abarcar as três etapas fundamentais de seu apostolado: missionário apostólico, arcebispo de Cuba e confessor real.

A parte denominada Continuação, concluída em 1865, completa alguns aspectos, tanto na espiritualidade como no apostolado. Esse segundo tempo abrange a plenitude de sua vida espiritual: nessa época havia recebido já as maiores graças místicas. Essas circunstâncias lhe davam a possibilidade de interpretar genuinamente o resto de sua vida.

Uma consideração mais externa, mas não menos interessante, é a rapidez da redação, impondo-lhe uma gigantesca atividade naqueles anos. Há repetições e incorreções que não se explicam se não desse modo. O santo não teve tempo de reler o escrito. Ao entregar o manuscrito ao seu confidente e confessor, Carmelo Sala, pediu que ele o corrigisse; fez aos missionários claretianos de Vic a mesma recomendação.

Ainda que a obra contenha imperfeições pelas razões aduzidas, há aspectos que a tornam muito apreciável, justamente pela rapidez, a espontaneidade, o frescor dos seus relatos e elevações, isentos de racionalização. Com isso ganha realce o valor fundamental da Autobiografia, a relação fiel de sua alma de apóstolo, que faz dela uma obra exemplar.

Os dois volumes originais que compõem o manuscrito foram terminados e entregues à comunidade de missionários de Vic, em 1862 e 1865, respectivamente. Aí permaneceram, no arquivo local, depois de cuidadosamente encadernados, até que, expulsos os Missionários pela revolução de setembro de 1868, foram levados à França. Retornaram com a volta à Espanha. A partir daí o precioso manuscrito autobiográfico passou a fazer parte do Arquivo Claretiano que, logo após a morte do Fundador, começou a ser formado na casa claretiana de Vic, em vista à introdução do processo de beatificação.

Lamentável foi a sorte do arquivo claretiano na revolução de 1936. Somente uma escassa parte pôde ser salva do incêndio. A Autobiografia foi salva providencialmente, graças ao zelo do padre Pedro Bertrans, encarregado do arquivo, e da astúcia da senhora dona Dolores Lletjós, que a guardou cuidadosamente em sua casa.

Depois da guerra a comunidade foi reorganizada. A Autobiografia e os documentos que puderam ser salvos retornaram ao arquivo claretiano de Vic, até 1954, ano em que o padre Pedro Schweiger, superior geral dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria (Claretianos), determinou seu translado para Roma. Atualmente o manuscrito encontra-se no arquivo geral da Congregação, junto com a maior e mais notável parte dos escritos claretianos. Para assegurar sua conservação, o manuscrito foi submetido a um tratamento técnico e nessa ocasião as duas partes foram encadernadas em um só volume, o primeiro dos dezoito volumes de manuscritos do santo.
2. A formulação do carisma claretiano
O carisma é um dom do Espírito para a vida e a missão da Igreja. O Espírito Santo se apodera de homens ou mulheres escolhidos e os transforma em outros Cristos para serem expressão de um de seus mistérios, seja o Cristo da oração, o que passa fazendo o bem, o evangelizador, ou outro.

Essa transformação, no caso dos fundadores, alcança tal plenitude a ponto de torná-los pessoas englobantes, isto é, suscitadores de novas famílias de Deus dentro da Igreja. A experiência pessoal se converte em experiência fundante.

Essa experiência espiritual somente acontece se aliada a uma outra vital, de base. A revelação salvadora de Deus "não está isolada da vida nem justaposta artificialmente a ela" (CT 22). Um fundador vive seu tempo, sente-o, experimenta sua dor, aprofunda-o com mente, vontade, sensibilidade; vive, porém não ele, mas Cristo que vive nele, chegando à identificação de sua própria experiência com as de Cristo e da Igreja. Há três fases neste processo: experiência humana profunda, identificação evangélica, formulação objetiva por meio de gestos, palavras e ações. O termo final da experiência é um não-ser-eu-o-que-vive, mas Cristo, de uma forma intensa e representativa. No caso de Claret: Cristo que anuncia o Evangelho com um estilo peculiar de vida e em comunhão com os Doze.

Santo Antonio Maria Claret deixou-nos na Autobiografia a formulação de sua experiência carismática, não reduzida a fórmulas teológicas concentradas, ou a uma reflexão psicológica sobre si mesmo, mas um relato vital, uma descrição simples da ação do Espírito nele, as convicções e atitudes gravadas em seu coração e as ações que o mesmo Espírito o inspirou que realizasse.

Quando Santo Antonio Maria Claret escreve não o faz para cantar um Magníficat secreto, mas tendo sempre como objetivo os seus missionários.

A finalidade é evidentemente formativa. Através do testemunho de sua vida, inicia o leitor na ação do Espírito Santo, na formação do missionário, a partir da vocação até a maturidade da fé. Certo é que, como fundador, essa ação teve nele a intensidade própria de quem é chamado a ser referência e modelo dos discípulos que buscam nele um princípio de identificação.




  1. Experiência vocacional

Na vocação percebem-se as predisposições de natureza e a ação da graça. O chamado explicita a caminhada que vai se dando a partir dos "sempre, sempre" da infância até o dia da ordenação de diácono.




  1. Experiência formativa

Descreve também o processo formativo para o sacerdócio em geral e para o ministério da palavra em particular, especialmente através da narrativa de sua viagem e estadia em Roma e de suas primeiras experiências missionárias até 1840, ano em que deixa a estabilidade paroquial para assumir a itinerância missionária.




  1. Elementos carismáticos essenciais

No início de sua vida de missionário itinerante pela Catalunha e Ilhas Canárias, a Santa Sé concedeu a Santo Antonio Maria Claret o título de Missionário Apostólico. O santo viu nesse título sua definição essencial, enriquecida depois com elementos característicos de seu carisma. Como missionário, sua via estava em função da evangelização, do serviço profético da palavra, renunciando, enquanto dependeu de sua parte, a outras funções do sacerdócio ministerial: a estabilidade de uma paróquia e a sacramentalização. O qualificativo apostólico indicava por si o remetente: a Sé Apostólica. Contudo, Claret o aplicou a si como forma de vida: “à maneira apostólica”, ao estilo dos apóstolos, ou seja, na mais estrita pobreza evangélica e na fraternidade de irmãos que o Senhor lhe concedeu viver, todos movidos pelo mesmo Espírito.

Claret viveu esses dois elementos essenciais de sua vocação como próprios de seu carisma: a vivência do mistério de Cristo, o Filho enviado como mestre e redentor, cabeça e modelo de missionários, e do mistério da Virgem. Sua única preocupação: seguir e imitar a Jesus Cristo em orar, trabalhar e sofrer, e em procurar sempre e unicamente a glória de Deus e a salvação das almas. Além disso, a vivência do mistério de Maria como a Mulher da qual nasceu o Filho de Deus feito homem (Gl 4,4), Mãe de Cristo missionário e de todos os missionários em Cristo. Mãe por sua caridade, por seu coração. Claret sente-se formado nessa forja para chegar a ser caridade ardente e fogo abrasador por onde quer que passe.


  1. Virtudes apostólicas

Além desses elementos carismáticos essenciais na Autobiografia, Claret enumera as virtudes e meios de que se valia para viver apostolicamente e cumprir sua missão. Recolheu as primeiras motivações de seu zelo e os estímulos que encontrava em Jesus Cristo, nos apóstolos, nos profetas e nos santos e santas nos quais descobria os traços de sua vocação.




  1. A ação apostólica: conduzido e urgido pelo Espírito

Santo Antonio Maria Claret descreve também a realização de sua missão, ao longo da vida, primeiro em Catalunha e nas Ilhas Canárias, depois em Cuba e finalmente em Madri. Obrigado a aceitar o episcopado e depois a ser confessor da rainha, viveu ambas situações como missionário apostólico, tanto pela importância que sempre deu à evangelização, aproveitando todas as ocasiões, como pelo estilo de vida pobre e fraterna. Em Cuba evitou enquanto pode as amarras burocráticas, a fim de ficar mais livre para a pregação. Em Madri converteu as viagens com a família real em missões e sonhava com o Escorial como sendo uma estratégica casa-missão e de exercícios espirituais de alcance internacional.

A Autobiografia termina em 1865; o resto, até sua morte (1870), é uma reconstituição através do epistolário e dos propósitos. Em Paris, como desterrado, e em Roma, como padre do Concílio Vaticano I, continuou sendo missionário apostólico na pobreza, no exercício do apostolado e na ânsia de vir à América Latina, a “vinha jovem”, consolando-se com as visitas ao Colégio Pio Latino.


  1. Os “silêncios”

Os “silêncios” da Autobiografia explicam-se pela finalidade a que se propôs o autor, qual seja ajudar à formação dos missionários. Por isso omite acontecimentos historicamente importantes e enaltece outros aparentemente insignificantes, porém que para o santo tinham um valor “significativo” no plano de sua missão ou para transmissão de seu espírito. Por isso é preciso completar a Autobiografia com uma leitura da “vida” do santo para enquadrar sua figura e compreendê-la na realidade histórica. A humildade tampouco está alheia à causa dos silêncios: “Quem conhecia como eu o Servo de Deus – testemunhou seu confessor, Carmelo Sala – compreende facilmente, ao ler as mencionadas anotações, que ele diz menos que o acontecido, querendo, sem dúvida, deste modo, cumprir o preceito imposto pela obediência, sem faltar com a humildade” (Arquivo Histórico C.M.F., I, p. 364).

Outro “silêncio” da Autobiografia é a estrutura para viver a vocação e a missão. Ajuda a compreensão desse silêncio a análise das Constituições Claretianas, de 1857 a 1870 e, para acompanhar sua evolução, é imprescindível o Epistolário. Na Autobiografia encontra-se o carisma na sua forma mais pura: a vivência e a mensagem que atraiu os primeiros discípulos e que continuará atraindo a todos aqueles a quem o Senhor fez partícipes da mesma graça.



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