Autobiografia santo antonio maria claret


CONTINUAÇÃO DA BIOGRAFIA DO ARCEBISPO



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CONTINUAÇÃO DA BIOGRAFIA DO ARCEBISPO


D. ANTONIO MARIA CLARET

CAPÍTULO 1



Viagem com suas majestades e altezas por Andaluzia (1)
702. No dia 12 de setembro de 1862 saí com suas majestades e altezas da corte de Madri para Mudela; no dia 13, estivemos em Andújar; no da 14 em Córdoba, ali permanecemos nos dias 15 e 16; no dia 17 chegamos a Sevilha e nela permanecemos de 18 a 25; no dia 26 nos dirigimos a Cádiz, lá permanecemos até o dia 02 de outubro; no dia 03, voltamos para Sevilla; no dia 5 estivemos em Córdoba; no dia 6, em Bailén; no dia 7, em Jaén; no dia 9, em Granada; no dia 14 em Loja; no dia 15 em Antequera; no dia 16 em Málaga; no dia 19 em Almería; no dia 20 em Cartagena; no dia 23 em Múrcia; no dia 25 em Orihuela; no dia 27 em Novelda; no dia 28 em Aranjuez e no dia 29, às cinco da tarde, entramos em Madrid.

703. Bendito seja o Senhor, que se dignou valer-se desta miserável criatura para fazer grandes coisas; a Deus nosso Senhor seja a glória, e a mim a confusão, como mereço. Tudo é de Deus; ele me deu saúde, forças, palavras e tudo o mais. Sempre reconheci que o Senhor era muito pródigo comigo, porém nessa viagem, não somente eu reconheci, mas também os demais. Eles viam que mal comia e bebia; somente provava alguma batata e um copo de água durante todo o dia. Jamais comia carne, peixe ou ovos. Não bebia vinho. Sempre estava contente e alegre. Jamais me viram cansado, não obstante em alguns dias ter pregado doze sermões.

704. Não posso dizer a quantidade de sermões que Deus pregou através deste indigno ministro e servo inútil durante os 48 dias de viagem. Um membro da comitiva teve a curiosidade de anotá-los. Diz ele que são 16 ao clero, 9 aos seminaristas, 95 às religiosas, 28 às Irmãs da Caridade, 35 aos pobres dos estabelecimentos de beneficência, 8 aos homens das Conferências de São Vicente de Paulo e 14 ao povo em geral nas catedrais e igrejas grandes. (2)

705. Além das pregações, distribuímos muitos milhares de folhetos, opúsculos e livros. Efetivamente, em cada lugar que chegávamos já havia uma caixa grande de material que havíamos pedido antecipadamente. Não é possível explicar o afã com que todas as pessoas buscam ouvir a divina palavra, o efeito que lhes causava, a avidez com que pediam alguma lembrança, e o amor com que guardavam o que lhe dávamos, ainda que não fosse mais que uma folha avulsa. (3)

706. Houve grandes conversões, ainda que não tenham conseguido confessar comigo por falta de tempo. Escreveram-me, depois, os mesmos penitentes convertidos. Cito apenas um dos muitos que se poderia referir. Através de carta, dizia: “Excelentíssimo e ilustríssimo senhor e padre: O que se atreve a escrever a vossa excelência é um grande pecador, esquecido dos sábios princípios que me haviam transmitido os meus pais, meus mestres e que eu havia adquirido na longa carreira de meus estudos científicos. Lancei-me com todo o furor de um coração corrompido à revolução do ano de 1835, e do ano anterior, 1934. Não me havia aproximado do santo tribunal da penitência, não obstante meus horríveis temores e devoradores remorsos de minha consciência; graças a Deus e a Maria santíssima, acabo de me confessar. Ontem, primeiro de setembro de 1862, fiz minha confissão geral. Meu coração está cheio de júbilo”.

707. “Os males que causei com meus escritos são incalculáveis e os excessos cometidos por minha posição são indizíveis. Desprezei meu Redentor e ele abandonou-me às minhas paixões e assim tenho vivido até este momento em que o Senhor teve piedade de mim. O primeiro chamado de meu Senhor foi o seguinte: Embarquei em Barcelona, no mesmo vapor em que estava um sacerdote. Este me presenteou com uma estampa da Puríssima com algumas máximas cristãs. Aceitei e, mesmo não fazendo caso, guardei-a em minha carteira e lhe recitei uma Salve Rainha. Não sei o que se passou no meu interior. Chega sua majestade a Andaluzia e vossa excelência com ela. Ao ver vossa excelência, lembrei-me da estampa de Maria santíssima. Porém, como? Pedindo justiça contra mim! Disseram-me que vossa excelência pregava. Correndo vou ouvi-lo. Ouço a palavra divina. Saio aterrorizado. Entro em minha casa e digo: Já tudo está acabado...”.

708. Louvemos todos a Deus e cantemos eternamente suas divinas misericórdias e, ao mesmo tempo, animemo-nos cada dia mais em colocar em prática os meios de que Deus se vale para converter os pecadores: como os folhetos, livretes e pregação. Oh! Como é bom hoje em dia fazer circular bons escritos, a fim de fazer frente à multidão dos maus.
CAPÍTULO 2

Trabalho com as Monjas de Andaluzia


709. Por todas os povoados em que passávamos nos quais havia monjas, aproveitava para pregar, a fim de não perder tempo. Enquanto pregava num convento, mandava um sacerdote a outro para que convocasse as irmãs diante da grade do altar mor. Assim que chegasse, podia iniciar a pregação e, logo depois de concluída, saía para outro convento. Desse modo, estando elas do lado de dentro e eu do lado de fora, não podiam deter-me, como me deteriam se tivesse entrado na clausura, como elas pretendiam sempre. Eu, porém, mesmo com a permissão dos respectivos bispos, nunca queria entrar para não ter que falar e perder tempo, coisas contrárias ao silêncio e à ocupação que sempre lhes inculcava. Não poucas vezes dizia-lhes que, se todas as monjas fossem mudas, seriam mais santas do que são. (4)

710. Em todas as povoações observei que na maioria dos conventos não havia vida comum e sim particular. Por exemplo: em Sevilha há atualmente vinte conventos de monjas; em cinco se observa a vida comum e em quinze se vive uma vida particular, nessa mesma proporção encontram-se os conventos de outras povoações de Andaluzia.

711. Os que conviveram com monjas sabem que é impossível que haja perfeição em uma comunidade na qual não se guarda a referida vida comum. Não direi eu o que acontece; deixo que o diga uma noviça de um convento que acaba de me escrever, com data de 18 de dezembro de 1862:

712. “Encontro-me neste convento e, por amor a Deus e pelo sangue de nosso Senhor Jesus Cristo, suplico-lhe que me tire deste inferno. Isto não é um convento, mas uma casa de vizinhos. Aqui não há sossego. Tudo é um puro labirinto. Nada do que aqui existe é do meu agrado. Se o nosso bispo soubesse o que se passa neste convento, já o teria fechado. Estou próxima da profissão e serei uma monja para o inferno. Não posso confiar em ninguém. Somente em vossa excelência espero encontrar remédio e salvação para minha alma, pois como confessor da rainha, deverá aconselhá-la a expedir uma ordem real para que não professe nenhuma noviça nos conventos em que não se observa a vida comum. Ai Senhor! Quanto lhe diga é pouco. Oh! Que vida tão triste! É uma morte. Eu somente sofro e calo. Espero de vossa excelência algum “remédio” antes que chegue o dia de minha profissão. Todas as que estão em conventos de vida particular encontram-se na mesma situação que eu estou. Somente Deus sabe o que se passa nestes conventos de vida particular. Remédio imediato; o tempo passa, a profissão se aproxima, sinto-me sem forças para remediar a situação, por compromissos muito grandes de...”.

713. Esta pobre monja está dizendo em geral o que já sabemos em minúcias e que se passa em semelhantes conventos. Por isso, em todos os conventos de vida particular, pregava-lhes com tanta energia e com tantas e tão poderosas razões, que se percebia claramente que Deus nosso Senhor, de um modo muito particular, me inspirava.

714. Fazia-lhes ver a necessidade que tinham de aspirar à perfeição, se desejassem mesmo a salvação. Não basta que sejam monjas para se salvarem, pois muitas devem ouvir de Jesus, seu esposo, aquelas palavras: Néscio vos, (5) não vos conheço, como às virgens imprudentes do Evangelho. Pregava-lhes o quanto é necessária a vida comum para a perfeição. Além disso, fazia-lhes um paralelo entre a vida comum e a vida particular, fazendo-lhes ver todas as vantagens corporais, espirituais e econômicas da vida comum sobre a particular e, para confirmar os argumentos, apresentava-lhes os exemplos da vida de Jesus, dos apóstolos, dos discípulos e de todas as comunidades nas quais existe vida de perfeição, pois são todas de vida comum.

715. Também lançava mão de outro argumento que, em verdade dava muita força; era uma oferta de pelo menos dois mil reais que sua majestade dava aos conventos. Dizia-lhe que o desejo de sua majestade era que todos os conventos tivessem vida comum. Não era uma ordem, mas um desejo. A oferta era de dois mil reais (em moeda da época) para cada convento da povoação, depositada nas mãos do bispo, com a obrigação de que fosse entregue às comunidades de vida comum e, às demais, quando a alcançassem.

716. Também dizia aos bispos e às comunidades que não deixassem entrar noviças nos conventos onde não houvesse vida comum e, se em alguns já tivessem entrado, que não professassem até que se houvesse restabelecio a vida em comum. Se não houvesse consenso de toda a comunidade, bastava que duas ou três começassem, e que as noviças que ingressaram, todas assumissem este compromisso. E assim, as velhas iriam entrando no esquema da vida comum. As mais velhas iriam morrendo e assim ficaria a comunidade reformada. A estas somente se lhe pedia que não fizessem como os fariseus, que não entravam no céu nem deixavam os outros entrar, como dizia Jesus. (6)


CAPÍTULO 3

Danos e erros de protestantes e socialistas em Andaluzia.


717. Faz alguns anos que nessa parte da Espanha se tem instalado muita apatia, tanto da parte dos governantes, como de parte dos eclesiásticos. Os socialistas e protestantes souberam aproveitar bem a ocasião. Enquanto alguns dormiram, outros semearam a cizânia naquele maravilhoso campo. É conhecida de todos a sublevação de Loja e a multidão de afiliados: não menos de oitenta mil. Também sabemos que, para sufocá-la foi preciso derramar sangue e desterrar a muitíssimos. Graças à viagem de sua majestade e ao indulto geral concedido, puderam retornar ao seio de suas famílias. Através de documentos oficiais sabe-se que os processados em conseqüência de tais acontecimentos de Loja, foram 1183, dos quais 387 eram solteiros, 720 casados, 76 viúvos. (7)

718. Os meios de que se valeram foram muitos. Os principais, porém, foram: dinheiro, livros, panfletos e charlatões propagandistas. Valiam-se também da violência, pois os que não se alistavam eram perseguidos e impedidos de trabalhar, além de fazê-los padecer fome. Durante o tempo de nossa passagem e permanência, tive a curiosidade de notar alguns dos erros que por aquelas terras se havia disseminado. Anotarei aqui brevemente. (8) Diziam:

719. 1. “Que o homem não deve reconhecer a outro como pai nem a outra como mãe na terra, porque os homens são como fungos e os cogumelos, etc. sem contar com Deus para nada”.

2. “Que os filhos nada devem a seus pais, porque eles somente pretendiam divertir-se e, se de seu prazer veio o filho, talvez tenha sido contra a sua vontade, talvez tenham tido sentimento por isso e, quem sabe se não tentaram abortar?” Essa forma de linguagem era falada, não somente no seio das famílias, mas também nas ruas, praças, caminhos e também nos tribunais.

720. 3. “Os reis, os ministros, são uns tiranos. Eles não têm nenhum direito de mandar sobre os demais homens. Todos são iguais”.

4. “A política é um jogo com a finalidade de apoderar-se do poder da nação, dos homens, dos interesses e tudo mais na sociedade”.

5. “Não há outra lei senão a do mais forte”.

721. 6. “A terra não é de ninguém. Dela saem todas as coisas. As coisas são para todos e de todos”.

7. “Os ricos são uns velhacos, zangões, que não fazem mais que folgar, comer e viver de excessos; que, assim como as abelhas, insurgem-se e tiram a vida a quantos podem; assim os trabalhadores devem levantar-se e acabar com todos esses zangões da sociedade”.

722. 8. “Irmãos, somos iguais, todos somos da mesma natureza; porém os ricos nos tratam como se fossemos de natureza diferente e inferior à sua. Sim, tratam-nos como se somente eles fossem homens e nós como se fôssemos seus animais de carga e de trabalho. Eles não trabalham nunca, estão continuamente folgando; andam e se divertem pelos cafés, teatros, bailes e passeios, enquanto nós estamos continuamente trabalhando. Nem sequer nos deixam descansar nos dias de festa. Eles escolhem e reservam os lugares mais cômodos, e assim se livram do calor do verão e do frio no inverno. Nós, além da fadiga do trabalho, temos que padecer o calor, o frio, os ventos e as chuvas nas intempéries, ou metidos nas fábricas, porões e minas, respirando ar contaminado, e assim morremos antes do tempo. Eles, a cada dia colocam em suas mesas muitos e fartos pratos; nós apenas podemos comer um pedaço de pão velho, que nos fazem pagar muito caro, por causa do monopólio que detêm...”.

723. “Eles vestem roupas bonitas e finas; cada dia mudam de traje e cada vez mais luxuoso. Nós, mal podemos trocar nossas camisas miseráveis, molhadas do suor de nossas fadigas”.

724. “Eles vivem em grandes e magníficas casas, adornadas com um luxo asiático. Nós já não podemos viver senão em porões e sótãos, porque subiram o preço dos aluguéis, e já não conseguimos pagá-los. Nós edificamos as casas, construímos os móveis, confeccionamos suas roupas, preparamos suas refeições; porém, eles não nos retribuem, antes nos roubam o que ganhamos e nos sugam o sangue com aluguéis, impostos e contribuições. Até quando vão durar esses roubos e injustiças? Levantemo-nos todos contra eles”.

725. 9. Até agora os ricos desfrutaram das terras. Já é tempo de nós também desfrutá-las e assim dividi-las entre nós. Esta divisão não é só um direito de eqüidade e justiça, como também de grande utilidade e proveito, pois os terrenos acumulados pelos ricos ladrões são infrutíferos, porém se divididos em pequenos lotes entre nós e cultivados por nossas próprias mãos, darão abundantes colheitas”.

726. 10. Além disso, dizia e repetia com muita freqüência o ferrador de Loja, Pérez del Olmo, o caudilho dos socialistas: “Antes os hospitais, casas de beneficência, as comunidades religiosas, os cabidos, os beneficiados, etc., etc., tinham fazendas, posses e rendas, e esses boas vidas apropriaram-se de tudo e até do que é próprio dos povoados. E de todas essas coisas não nos deram nada. É justo que reclamemos a parte que nos toca; nós temos o mesmo direito que eles; e como eles não nos darão nada, estamos a ponto de tomar posse do que nos pertence. Unamo-nos, pois, todos, e levantemo-nos: mãos à obra”.

727. Com esses discursos e com os demais meios adulatórios, ameaças e insultos aos que não cediam prontamente, e dessa forma rapidamente foi tomando grandes proporções. Ao mesmo tempo, foram semeadas doutrinas perversas e destruidoras: disseminava-se a imoralidade, apartando as pessoas do bem e conduzindo-as para o mal. Já não mais se recebiam os sacramentos da penitência, eucaristia e matrimônio; nem mesmo se participava da missa. Nos dias de festa, trabalhava-se até o meio-dia; à tarde e à noite, jogo, baile, teatro, café, taberna, passeio. Nada de religião. Tudo mundano. Os ministros da religião, desprezados, murmurados, caluniados, etc., etc.

728. Estando em Madri, ao tomar conhecimento de todas essas iniqüidades, meu coração partia-se de dor. Desejava dirigir-me até lá para pregar. Porém, sua majestade disse-me que esperasse, que pregaria quando fôssemos para lá. E foi o que aconteceu. Mas isto não é suficiente. É necessária a presença de missionários. Conversei com os bispos daquelas regiões. O senhor núncio apostólico e a rainha falaram e escreveram cartas para que os missionários fossem para lá. Espero que alguém vá, certamente poucos, pois são poucos ao todo. Ó pai celestial, enviai missionários!!! (9)






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